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Friday, January 29, 2010

blush

A dignidade não se espalha nos lábios com baton nem a verdade há-de espalhar-se através do pincel do teu blush. Um dia, quando perceberes que os teus 15 anos não voltam atrás irás dar-me razão. Podes correr e tentar reparar o que sobrou do teu corpo mas não poderás voltar atrás e por cimento nas frechas que abriste na alma ao agir dessa maneira. Não adianta errar, sabendo que se erra, e mesmo assim esperar pelo perdão só porque acreditas que nunca te falharia. Somos tão diferentes...não acredito, como nunca acreditei, que algum dia te pertenci. E isso a que tu chamas de liberdade no meu mundo denomina-se libertinagem e indecência.


Basta-me amarrar aquela corda à volta do coração para que ele não tombe e viverei bem sem ti!

Bucólico. Grilos ou cigarras?

E aqui estou eu sentada em cima desta coisa. Em falta de melhor palavra é isto uma coisa, coisa serve para tudo ou quase tudo e tem proveniência no latim, se bem me recordo, será res rem(3ª declinação). Pasmo. Como me lembro eu disto? Eu que persigo a memória perdida constantemente.


O pinheiro gigante estremeceu de repente. Não há aqui viva alma! Resta o rodopiar de uma coisa (ando com problemas em definir, em dar nomes concretos ás coisas...)que brilha a cada instante movida pelo vento e resplandece a cada toque de luz. As nuvens movem-se vagarosamente, entedeadas talvez.

Estou estupefacta comigo dado que há unas horas atrás estava zangada, amargurada e distante de tudo e agora sorri sem dar por isso. “Run forest run” estava ali escrito no barracão abandonado que outro dia foi alvo de comentários, mesmo antes da suposta e espectante aula de natação: “ninguém faz nada disto? ou se destrói ou se reabilita agora assim é que não pode permanecer!” Mas permaneceu e permanece.

Continuo aqui. E parece que sempre aqui estive. Se elas soubessem...ah se elas me vissem aqui decerto diriam que enloqueci de vez. Parece que as oiço:

-“ Foste lá fazer o quê?”

-“Fui ter aula de natação mas não tive, e perdi o autocarro e espetei uma farpa no pé e como estava muito sol tive que regressar a casa e tomar um banho dado que fui a pé tentar carregar o passe e constatei que ou existe uma anomalia 160 ou a porra da máquina não funciona! E assim atrasei-me 4horas para a aula e assim achei que ia morrer por mais uma vez não conseguir cumprir os objectivos a que me proponho diariamente”

-“Ah, está bem. És estranha. Mas então se não tiveste aula o que ficaste lá a fazer repito eu”

-“Nada. Andei a pisar o trilho da terra batida, a ver as nuvens tocarem-se, a admirar-me com as sombras das árvores como na primeira vez em que as vi, a afastar as moscas insistentes, a ver o suor dos outros, enfim, afinal de contas até fiz muita coisa!”

Mp3 esqueci-me dele e apesar de tudo não me faz cá falta. Há meses que não o uso mas não me faz cá falta, distrai-me, reduz-me a atenção para o mundo. Recordei-o apenas por ver alguém com esse objecto talvez para ela indispensável.

A cantina está fechada. Que sorte a minha. Sempre a mesma coisa nesta terra. O que vale é que hoje a única fome que tenho é de emoção e de vida. Mas uma vida diferente daquela que até aqui tenho vivido porque decidi que a dia 1 de setembro começa a era da perseverança e da castidade. Elas riram e acharam-me impossibilitada de tal. Eu permaneço.

Serviços de manutenção estão a caminho e perturbam o meu silêncio e a minha atenção. Maldito telemóvel também. É o preço a pagar pelo desenvolvimento tecnológico afinal. Eu cá prefiro as cartas. Sempre preferi as cartas. O cheiro, o toque e a autenticidade. O branco, a tinta e o riscar por engano. A minha querida escrita em diagonal, desalinhada. A letra ora grande ora pequena. A minha personalidade instável.

O corpo aqui não dói. É incrível o cenário. Só falta mesmo “o Monge” aqui.

Ele disse que acreditava em mim. Assim do nada e num instante e alguém que desconheço olhou através do meu olhar cabisbaixo, do meu aspecto carrancudo e disse-me que acreditava em mim. Espanto. Eu não. Eu não acreditava até aqui chegar. Agora estava capaz de fazer como o Garrett e ir até à Azambuja a pé. Tinha é que ir trocar de ténis. Que alegria, aqui não preciso de palavras! Raras vezes me aconteceu tal coisa. Ao aqui chegar eu já cá estava. Passa novamente alguém. Mais do que isto só mesmo sentir os pés no chão, passar pelas folhas e ter atenção com o casulo da futura Srª Borboleta. Se calhar deito-me aqui, é uma hipótese. O granito desta rocha aguentará comigo. Pena não existirem aqui figueiras. Adoro figos.

O castelo talvez fique apenas em mente, em sonho ou devaneio. Certo é que pode regressar esta ideia, amanha talvez.

Retomando a ideia. Quando cheguei senti que já cá estava e que aqui estive sempre. Não consigo esconder este sorriso parvo. Melhor que isto só mesmo o convento ou a abadia em Madrid. Melhor que isto só olhar S. Ambrósio no celibato da sua peregrinação constante.

100metros e recorde pessoal por bater.

Um velho, de livros na mão e chapéu verde na cabeça fita-me. Bem, é melhor fazer uma pausa. E lá vêm os telemóveis outra vez, andam a perseguir-me certamente mas desta vez não é o meu, é alheio. Só sabem imitar. Sentei-me aqui neste granito e já estão a seguir os meus passos.

Não fosse a ausência do meu elástico preto e este cabelo andaria mais certinho e menos juba de leão raivoso. De resto tudo bem. As formigas não deram pela minha presença, nem me incomodam...as formigas não têm telemóvel. Esta está sozinha como eu. Ou perdeu-se das demais ou achou-se a si. Como eu.

elas

Ando farta de vê-las por aí caídas, arrastando-se e mostrando-se de forma perfeitamente descabida e indecente por 15minutos de fama e de estrelato. Nojo. Que raio de existência é essa? Que emoções almejam além de por fotos em poses provocantes e pouco ortodoxas no hi5? Vazias. Cabeças de vento. Almas de ninguém. É vê-las alegres e contentes a encher as lojinhas dos centros comerciais assim que chegam os rendimentos de cada mês. São mais felizes quanto mais roupa têm no armário, quanto mais vezes foram ao cabeleireiro e à manutenção semanal das unhas de gel postiças mas de porcelana. Impecáveis. Agradáveis á vista, péssimas para lavar a loiça mas suficientes ao ponto de lhes encher a alma e de lhes trazer um sorriso à cara.


- Já viste a minha tatoo nova, pergunta ela.

- Não, fizeste onde desta vez? A última ficou bué fixe. Disfarçaste bem o nome do ex com o do actual.

- Fiz em casa. Foi um amigo do Rui que a fez...é muito fashion não é?

- Podes crer. Eu quando acabar de preencher de cor a estrelinha do pé faço outra no pescoço para fazer concorrência à tribal das costas e do umbigo! As pessoas dizem que dói tanto fazer tatoos e eu sofri muito mais a ter a Vanessa, a Vanda e a Cátia....porra!



-Olha está isto aqui escrito num bilhete...



As pessoas educam-se e os valores morais apreendem-se...agora quem não os tem e não sente a falta pela sua ausência, permanece igual...



- Não sei quem disse isso, deve ter sido algum político ou assim ou então deve ser de um livro mas também quero lá saber! Eu nem gosto de ler, ia agora gastar dinheiro em livros!

- Vá, vê se te despachas a tirar essas fotos linda...não tarda começa a nossa novela! Que colar fantástico que a gaja trazia ontem viste?

- Não, por acaso nem reparei.

elogio

Aqui fica petrificado o tributo à beleza da simplicidade,ao verde,ao não correr com a multidão por entre filas no metro,ao sossego e ao desassossego das noites mal dormidas,aos pés descalços no chão,ao Fernando Pessoa,ao vento da manhã,ao restaurante japonês,ao S.jorge em dia de Festival( Fernando Ribeiro incluído), à modéstia, ao clima ameno....e um grito de estupidez profunda por não conseguir mudar o mundo, por chegar atrasada quando prentendo chegar antes, por não ser perfeita e não usar esta desculpa para tudo, por me sentir uma inútil e finalmente por imaginar o dia em que vos irei rever e em que terei de inventar palavras que não tenho para vos explicar aquilo que a vossos olhos será incompreensível e inexplicável! Espero que seja aceitável apenas uma palavra: desculpa...

Friday, April 13, 2007

E tento o recomeço,levanto.me com forças mas sou
derrubada por mim mesma.Atropelo.me...

Thursday, March 15, 2007

recomeço

Não é facil este recomeço....e eu só sei ser forte por ti.Mas não consigo evitar a tua condenação.Não podias ter feito isto, mais por ti do que por mim.Não te podias ter destruído assim desta forma...e eu, que nunca te disse o quanto te gostava, só penso agora que a cada dia que passa caminhamos lentamente até ti...